Confira a Entrevista com Fabricio Reis Salgado

 “No momento foi horrível, você não sabe o que pensar”, é assim que Fabricio Reis Salgado, que recebeu o título de melhor cavaleiro do Brasil em 2007, explica como se sentiu por não saltar as Olimpíadas em 2008. Hoje, instrutor, no Chevals, Sociedade Hípica de Contagem e Pedro Leopoldo, Fabricio pensa que o esporte precisa de mais incentivo e patrocínio.



Quando e porque você começou a montar?

Eu comecei em 1989. Já tinha feito vários esportes antes e nada dava certo, não parava em nada e ai meu pai me colocou para montar porque eu gostava de cavalo. Deu certo e eu estou ai até hoje.

Começou onde?

Na hípica de Contagem.

Quem foi seu primeiro professor?

Não me lembro.




Quais professores marcaram sua história no hipismo?

Montei com o Pelé em Contagem logo no início. Montei depois com o Roquinho, depois fui pro Sítio e o João Oscar me ajudava as vezes. Depois fiquei montando com o João, a Laura Rosseti e o Ademir. Comecei no hipismo clássico, depois rural, CCE e depois voltei para hipismo clássico. O CJ me deu uma mão para ir as Olimpíadas me ajudando com trabalho de plano.

Porque voltou para o hipismo clássico?

Porque eu estava trabalhando na Junia, fazia CCE e depois do acidente o esporte foi acabando aqui e para o profissional o hipismo clássico é melhor do que outras modalidades. Porque hoje em Minas não existe mais CCE e hipismo rural.

Quando começou a dar aulas?

Comecei na Junia quando fui morar lá, montando cavalos e a Junia montou uma escola. O João Oscar me pediu para ajudar a dar aula na escolinha. Isto foi há uns 20 anos, eu tinha uns 16 anos. Fiquei bastante tempo na Junia, fui para o Nutreal e continuei lá. Depois sai da Junia e fiquei no Nutreal e no Chevals. Já estava em Pedro Leopoldo também. Comecei a dar aula na Sociedade Hípica também. Hoje estou no Chevals, na Hìpica e em Pedro Leopoldo.

 

 Dos treinadores que você citou, algum foi mais importante para sua carreira?

Na verdade o cara que tive mais títulos trabalhando com ele, foi o Ademir. Foi uma pessoa que trabalhando junto deu muito certo e também que me ajudou além de ganhar muitos títulos, a crescer muito no CCE.



Qual momento foi o mais marcante na sua carreira até hoje?

O mais marcante foi subri ao podium para receber a medalha de bronze no Pan Americano por equipe. Outros momentos marcantes foram quando fui campeão brasileiro de hipismo rural em 99 e quando fui considerado o melhor cavaleiro de hipismo rural do Brasil. Em 2007 quando ganhei o prêmio Brasil Olímpico, fui considerado o melhor cavaleiro de hipismo do Brasil. Mas o momento que mais marcou foi quando consegui a vaga para ir para as Olimpíadas em 2008.

Como você se sente hoje e se sentiu naquele momento por não ter disputado a prova?

No momento foi horrível, você nem sabe o que sente. Porque fazer tudo que eu fiz para conseguir chegar e não saltar é uma sensação inexplicável, mas com o tempo fui pensando e penso até hoje que talvez poderia ter tido um acidente , uma coisa pior. A melhor maneira de pensar é assim. Se ficar procurando justificativa porque não deu, você não vai achar nunca.

Como você se sente em relação a classificação do Pepeu para o Sul Americano no Chile?

È muito gratificante porque queira ou não em qualquer esporte a gente procura resultado e você só tem aluno e consegue viver do esporte se você tiver resultado. Se você não tiver resultado não consegue manter em um nível bacana de profissionalismo. Porque todo mundo quer isso, resultado. Então ir para o Sul Americano , que é o terceiro ou quarto ano, que ele está indo, para mim como curriculo é muito bom. Eu tenho uma relação com meus alunos bem bacana assim eu sinto como se eu mesmo estivesse indo. Você conseguir levar um aluno é até mesmo mais gratificante do você mesmo estar indo. Não é um trabalho só seu e do seu cavalo, é um trabalho de uma equipe que faz você conseguir chegar lá.



Qual é a maneira que você utiliza para motivar seu aluno em um esporte que não depende só dele e sim também do cavalo com suas possíveis falhas?

Depende muito de aluno para aluno e do que cada um quer do esporte. Eu tenho aluno que quer só ir e participar e tenho alunos que só querem ganhar. E para quem quer ganhar é mais complicado ainda. Preciso explicar que neste esporte se perde mais do que se ganha. Este esporte é muito ingrato, é um esporte que não se recupera. Se você fizer uma falta e perder um ponto , passou , você não empata mais o jogo, já era! Eu falo muito com eles para prestar atenção no reconhecimento. Se você conseguir fazer na prova o que você reconheceu você ganha. Planejamento é tudo neste esporte, o animal cansa se entrar com ele em todas as provas. Muito difícil o mesmo conjunto , ganhando sempre.

 

As vezes , você sente que o aluno não está preparado mas é a vontade dele. Como agir?

Quando vou correr vou conversar com aluno e responsáveis sobre este risco e vamos correr o risco juntos. Começo a preparar meus alunos para saltar mais alto nas provas internas. Porque este salto de altura de 0,10 cm., todo mundo acha que não é nada mas é um passo muito grande. As vezes você da um passo para frente e depois terá que dar três para trás.

No geral, o que você acha que falta como incentivo para o esporte?

Falta divulgação. Tentar levar mais alunos nos campeonatos. A FHMG , tem que conseguir mais patrocínio para levar mais cavaleiros e amazonas para saltar fora em campeonatos. As pessoas vão saltar em um campeonato brasileiro, é não tem nenhum incentivo. As provas tem baixo público.

Com tantas viagens e trabalhando em três hípicas, como você concilia sua vida profissional com a família?

Pra gente que vive do cavalo e com o esquema que eu tenho é complicado. A família tem que entender e apoiar muito. Porque 90% de tudo que acontece como festa de família, reunião na escola, você nunca está, está sempre em prova. Meus filhos entendem isso mais ou menos.

 

 


MODALIDADES

SALTO

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A modalidade Salto consiste basicamente numa prova em que o conjunto (cavalo/cavaleiro) percorre um percurso entre 8 a 12 obstáculos diferentes.

ENDURO

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Palavra de origem inglesa, o Enduro (Endurance) se traduz como competição longa em que a velocidade deve se adequar à resistência.

ADESTRAMENTO

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O Adestramento ou Dressage, como é conhecido internacionalmente, é uma modalidade Olímpica do Hipismo.

CCE

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O Concurso Completo de Equitação (CCE) é uma modalidade olímpica também conhecida como o “triatlon” equestre.